New Literature

Textos

Psicanálise, em movimento uniformemente variado

Não sei se esse tipo de idéia já foi utilizado. Uso-a com naturalidade, inconscientemente. Acabo conseguindo saber tudo o que a pessoa queria dizer, ou apenas o que pensava, com uma mera frase.

É imaginar a mente humana como alguém atravessando corredores. Encontra as portas à frente, escolhe uma, e continua. A mente humana, muitas vezes, se vê forçada a entrar por uma porta, quando a porta que realmente deseja atravessar está fechada. Nós, seres racionais, não sabemos esperar uma porta abrir.

A mente humana trabalha com definições. Uma idéia parte de outras idéias menores, e nunca pode quebrá-las. São os pedestais onde nos sustentamos. Definimos algo como certo, e isso será. São as paredes dos nossos corredores, estamos limitados à elas. "Definir é limitar". Elas são também nossos medos e desejos. Um desejo cria portas novas, pois sua mente só vê o que ela está propensa a ver. E os medos as fecham - Freud dizia até que coisas são esquecidas por traumas e medos. E o conhecimento é como o alcance da sua visão.

As pessoas se apaixonam assim também. Elas definem na mente que estão apaixonadas: se é um desconhecido, só por repetir a idéia mais de uma vez na cabeça, acaba não se esquecendo mais; quando é um conhecido, as aproximações são tão grandes que basta vir a idéia de paixão (de si mesmo ou de terceiros), que ela surge e fica impávida por um longo tempo. Eles são apenas baseados em coisas que já conhecemos, como qualquer idéia. Ninguém teria medo de fantasmas se não tivesse ouvido falar deles.

Quando alguém me expõe idéias, sentimentos, eu, infelizmente, as destilo maquinalmente. Posso até ver, na minha mente, de onde cada uma veio. Por alguns lados, pode ser bom. Mas, para a pessoa que os sente, os sentimentos não podem ser analisados assim.

Sentimentos são independentes da sua vontade, e, ainda, contraditórios. A essência deles é essa, se não fossem confusos, não seriam sentimentos.

Ninguém aceitaria a sua explicação, não importa a quão lógica ela seja. É como o Princípio da incerteza de Heisenberg: ao tentar descrever os sentimentos a alguém, eu estou interferindo neles, de um modo quase imprevisível (causado pelo dilema da mente humana); a interferência criará novas barreiras, abrirá novas portas.

< Voltar