De vez em quando, vejo alguém que insiste em ficar parado. Ó, humanos...
O 'parado' que falo não é 'ficar parado' realmente. É o querer ser Em-Si. Se não entende, vou explicar: um ser-em-si é qualquer coisa no mundo que já possua uma essência definida; não possui um para dentro que se oponha ao para fora; não avança, não recua, não transcende.
Mas nós, seres pensantes, não somos Ser-Em-Si. Somos um Ser-Para-Si: possuímos um enorme vazio dentro de nós, e temos como objetivo, projeto, preencher esse vazio de alguma forma.
E o que quero dizer com o "alguém que insiste em ficar parado"? Às vezes, encontro alguém que acha que já está completo, que uma mão invisível o construiu e ele é aquilo. Às vezes, encontro um humano que fala tanto de si mesmo que acaba por já ter concluído a própria existência!
"Eu sou assim... quando faço isso, faço isso."
O que você é, então, uma máquina?
Conclui-se, resolve-se, pára por ali. Ou ao menos finge isso. Duvido que uma dessas criaturas realmente pense no que é (ou mais: que haja segundo o que diz ser). Fica ali: limita, especula acerca da própria existência, a analisando como se estivessem olhando uma pedra - ou melhor, uma flor: sempre só falam das partes boas.
E ainda vem aquele humano que se sente forte, concreto. E se impõe sobre tudo: assim sou eu, e todos devem ser. O que é isso, afinal?
Derruba o outro, pois está certo. Impávido, colosso? É um humano que se concretiza, que se acha perfeito. Achar que sempre há um modo de seu jeito se sobrepor? Não há perfeição, sempre há como evoluir, melhorar.
O que você é então? Uma máquina perfeita e bela?
Humano, você não é: você foi, e você será. A cada segundo, você pode se fazer como deseja, mas a cada segundo pode também se desfazer.
Para o bem, para o mal: no Ser-Para-Si, só o passado é uma essência conhecida.