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Textos

O Porquê

Nas letras procuro entender transmitir o que se passa na vida - na minha ou na sua-, mas é tudo grande demais para ser escrito no bom e velho português (não que ele seja bom, mas dá pra fazer poesias).

É tudo complicado demais, e os sons que saem da minha boca só fazem sentido para mim quando não formam palavras. A frase mais bonita que ouço hoje está escrita em partituras, e sai como uma melodia suave, que mais lembra uma guerra que uma canção de amor.

No chão, apenas pó. No espelho, as chagas que espero que sumam. Nas minhas mãos, marcas de trabalhos nunca feitos. A ânsia, a velocidade das respostas, a coragem de fazer - tudo fruto da falta de consciência. Tudo isso se apaga com as gotas amargas que escorrem pela face. E tudo fica mais claro.

Os olhos já não estão mais úmidos. Os pensamentos mudaram. Tudo ficou mais claro. Todas as lembranças aparecem, e todas as letras que escrevi me apedrejam, depois de tanto afago.

Ninguém se lembra do sentimento não existente, da dor nunca sentida, de tudo de ruim que talvez tenha acontecido. Por uns momentos, questionaram. Por outros, calaram.

"Eu já fui cego. Já vi de tudo. Já disse tudo e fiquei mudo... Já fui tão pouco e fui demais. Eu estive longe. Longas tardes à procura. A loucura esteve perto. Eu estive longe dela."

Ainda tenho aquele pesadelo horrível. Ainda acordo pensando se algo melhorou. Ainda tenho medo de me levantar. Ainda tenho medo do amanhã, do que está por vir. De mim mesmo, do espelho. Do escuro, nunca.

Ainda não quero respirar tão quente quanto alguém vivo - ou melhor, agora desejo mais que nunca! Não quero suar tão frio quanto alguém com medo - creio nunca ter feito isso. Acho que quero. Pois posso - ou acho que posso. Preciso - disso, tenho certeza.

Preciso dos atos (preciso nos atos) complicados (que, complicados,) consomem a mim mesmo. Pois, sem isso, não sou nada. "Se o sangue ainda corre nas veias, é por pura falta de opção". E eu sangro sem sangrar. É mais saudável que cortar os pulsos.

É só escrever. E alguém vai ler.

E vai indo.

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