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Ídolos

Movido por ídolos. Pessoas que formaram minha mente, minhas idéias, meus rumos. Que me deram consciência do ser, que expandiram minha transcendência e que me encaixaram no tempo e no espaço.

De todos esses ícones, de todos esses imortais, dreno alguma coisa. E crio o desejo massivo e frustrante de ser um deles.

Não quero ser um deles fazendo o mesmo que já fizeram, pelo contrário. Eles são ídolos exatamente por terem feito o que ninguém fez, por terem, de modo singular e inédito, construído algo na humanidade. Quero, preciso construir algo, ser um imortal.

Mas no mundo atual, onde estão os imortais? Será que nascerão? Onde estão as novas descobertas, as novas idéias, e seus respectivos nomes geradores?

Ou será que eles só se tornam imortais após a morte, e que só verei os de hoje amanhã?

Tenho, portanto, direito de viver me iludindo, crendo que, após a morte, poderei me tornar também um desses imortais? E se eu não me tornar?

Amarga é a vida que vivo. Amargo é o gosto da boca vazia. Dói a barriga vazia, a fome, a procura. A procura do objetivo. Pior ainda é procurar o objetivo que ninguém nunca atingiu. Encontrar é, sem dúvida, obra de um gênio*.

E aí, a dúvida que mais me fere: seria eu o gênio que tanto desejo ser, ou sou apenas talentoso? A mera auto-definição já me responde, com tristeza. "A solução em busca de um problema". Creio que estou apenas procurando um alvo mais difícil para atingir. Um alvo que qualquer um pode ver...


*"Talento é quando um atirador atinge um alvo que outros não acertam. Gênio é atingir um alvo que os outros não vêem."

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