A Vênus caminha sobre tua aurora,
Estupora o coração que bate por teu beijo,
Que vive ainda vivo só pelo desejo
De tê-la a todo instante, como teve outrora.
Aflora minha amada, viva num lampejo.
Seja a flor serena que desperta fora
Da janela. E quando chegar tua hora
Dirás aos meus ouvidos o que tanto almejo.
És gota, és flor. És estrela e musa.
Não abusa do poder, bela medusa,
Que em pedra transformou meu coração.
Agora te põe-te no horizonte da canção
E fica longe das que ainda virão,
Que hoje é a minha poesia que te usa.
Livre, livre
Livre enfim
Anos e anos, eu, aprisionada
Nesta cadeia, feia, estagnada
Engarrafada por todas essas dores
Livre, para cair e rolar
Para me perder num mar de feias flores
Com outras iguais à mim
Uma poça de água salgada
E eu, sim, faço parte dela...
E não me sinto, hoje, afogada
-E assim falou a lágrima
Não sabes o que comes.
É tua própria criação!
Esqueça dos que viverão,
Pois eles não te darão nomes.
Senhor, por favor, apodreça
Ou exista sem expressão.
A ridícula escravidão
É, sim, tua essência.
E, mesmo sem sapiência,
Espero que não te esqueças
Que não existes sem a 'criação'.
Não adianta que atitude tomes:
Saiba que fomos nós, homens,
Que criamos a oração.
E força, e vai. Empurrando o tempo.
Mais um ano passando, um momento perdido.
E força, e vamos. Empurrando, empurrando.
Não há o que temer, eu estou te ajudando.
E força, sorrisos. Qual o problema em lutar?
Vou tentar ajudar, mesmo sem ter pedido.
Lindo o movimento é.
Como a flor desabrochando:
O rosto gira, o corpo acompanha;
Lábios, beijo; sorriso, resposta.
Para a mente: rápido, bruto.
Para o corpo: lento, estúpido.
Então explico este efeito:
A mente, naquele momento, pára.
O corpo se conduz, ao som
de uma canção suave. A emoção
emerge, numa fração de segundo:
Toda uma sinfonia toca naquele ato.
Me diga se não é, então -
com todo aquele movimento,
com todo aquele pensamento
(ou toda a ausência dele),
com todo aquele sorriso, afinal
- igual à flor desabrochando.
Num jogo de moedas
Destrói o próprio espaço
Não sei mais o que faço
Para a sorte te salvar
Os olhos que tu vedas
São frios como o aço
Estilhaço...
Que veio te cegar!
Corrupto, demente
Tu és um bom rapaz
O que fazes já não é suficiente
Mesmo frágil, tu serás
Como a ponta do diamante
Cortante, a vitória alcançarás
Num jogo, tuas quedas
Só mostram a fraqueza
E a beleza...
De quem nunca vencerá
Porém a tua luta
Tem a glória de andar
De mesmo cego caminhar
Até o mundo perceber
Que o corrupto, demente
Ainda é um bom rapaz
Mas o que faz já não é suficiente
Mesmo frágil, ele será
Como a ponta do diamante
Cortante, a vitória alcançará