New Literature

Poesias

1, 2, 3, 4 e 5

Explode, desgraça

Ó felicidade contida
Livre-me desse tormento
Dor vivente, nativa
Morrerás no peito em que nasceu

Aaaaaaaahhhh
Gritos de felicidade
Gritos de agonia
A ânsia, que crescia, agora some
E come o meu peito, desgraçada

Aaaaaaaahhh
Não come nada, desgraça
(Sem fim, criatura ignara)
Essa luta não cessará?
Ficará aqui, dor?
Não irá dormir?
Te apunhalarei
(Ó força bruta)
Na gruta em que durmo irei sufocar
Aaaaaaaaahhh felicidade imensa contida
Dor que nunca passa, hei de te exterminar


Grão

Ainda não sei o que é paixão.
Tudo é pouco, fragmentos,
grãos de areia no chão.
Os loucos, por poucos momentos,
nunca se cansarão
de procurar o grão que falta,
que à visão às vezes salta
e se perde na escuridão.


Idade

Pancadas e dores precisas
destroem, me dão uma rasteira.
Furam o peito, tornam-o uma peneira,
para então curarem as feridas.

Num ciclo de dor e amor,
num mar sereno de felicidade,
hormônios massantes da puberdade
me empurram à visão o horror.

O cérebro dói, a dor me ronda.
Amor, paixão, coisa hedionda...
É você ou são coisas da idade?

O desejo, vivo, venerado, arde.
Dança na última aurora da tarde
e morre com o fim da ciranda.


Lírio

ei lírio do deserto
será que vai viver assim,
escondida?
não vem participar dos meus delírios?
da minha vida?
tão longe
e mesmo assim tão perto
nosso destino é incerto


O Problema dos Rios

O problema dos rios
É que as gotas d'água não andam sozinhas
E também não andam ao lado das gotas que querem acompanhar
O problema dos rios
É que se caminhar sozinha, tu gota, não será rio
E nem se andar só ao meu lado será
O problema dos rios
É que as gotas não têm motivos para serem gotas
É que a gota que quero não tem motivos para ficar ao lado da minha gota
O problema dos rios
É que eles são longos demais, largos demais
E, mesmo com os problemas, as gotas sempre temem chegar na foz

E o mar é apenas salgado.


Pobre Sonhador

Mente fértil, fútil
Vive num mundo alheio
Viaja por delírios
Inútil, constrói paixões
Damas que desconhece
Num meio de ilusões
Revela até os filhos
E deles não esquece

Mente, viaja, sonha
Enfadonha seqüência de eventos
Momentos, alegria, tormentos
Cria brigas e tristezas
Ó sonhador sem vida
Perdida cabeça sem belezas
Comida, devorada, destruída
Por fatídicas incertezas

1, 2, 3, 4 e 5