Os humanos são criaturas cheias de fraquezas e defeitos tolos, frutos da introspecção mal-direcionada. Não conseguem olhar para si mesmo, não conseguem admitir esses defeitos.
Dentre todos esses defeitos, tento listar alguns. Um simples é o fato de considerar errado algo que simplesmente não consegue fazer. Mais simples ainda, é inferiorizar outros humanos por características que, na verdade, são positivas. Tamanha inveja e estupidez os fazem se esconder atrás do adjetivo ‘humilde’.
O segundo: humanos se afundam em lamentações. Pedidos de ajuda de quem sabe que não seja ajudado. Pedidos de alguém que finge não ser capaz de realizar determinada ação. Pedidos de ajuda de alguém que erra e finge não ser capaz de reparar ou superar. E que também não assume o erro.
Lamentar-se não leva a nada, apenas à perda de tempo, ao falso conforto (e onde está o conforto, afinal). E, de tanto se lamentarem, as pessoas acabam por jogar a culpa em terceiros: e isso é má-fé. Melhor é ir atrás da causa do erro, e de sua respectiva solução. Saber a causa do erro serve apenas para um propósito: impedir que o erro aconteça novamente.
Um terceiro defeito é o uso ininterrupto de desculpas ridículas. Os humanos o fazem quase que automaticamente: respondem a uma crítica com frases sem sentido que ninguém escuta. A frase apenas sai, sem nenhuma verdade nela - às vezes o final dela nem é pronunciado.
Criticas positivas ou negativas, verdadeiras ou falsas, devem ser aceitas, afim de que algo seja alterado e a crítica não mais possa existir. É o modo mais simples, porém extremamente eficaz, de se evoluir em algo.
Dentre as desculpas, temos as fundadas como crenças. É a repetição de uma inverdade, de uma justificativa, que acaba por iludir o próprio ser. Dentre elas, os dogmas pessoais, onde o indivíduo cria concepções e as segue como um religioso segue para o altar; uma segunda desculpa comum é a de jogar sua culpa em algo ou alguém, colocando aquilo como uma dificuldade intransponível. Ambas podem ser consideradas frutos da má-fé.
Humanos desejam ser fortes. Apenas desejam, e nada mais. Raramente são capazes de direcionar essa vontade – felizmente existem os que conseguem, e estes se tornam ídolos.
Ser forte não é ser melhor que os outros: apenas humanos, fracos, precisam de referencial (e geralmente escolhem o mais fácil de sobrepor); apenas humanos, fracos, precisam olhar para os problemas de outros humanos para se sentirem melhores.
Um humano tenta se fazer forte vencendo uma batalha já vencida, tentando derrotar um inimigo que não existe. Esse humano tenta se achar forte estando no meio de fracos. Ele finge que os fracos são fortes, para então se tornar melhor que eles. E finge que os fortes são fracos – para, assim, se considerar melhor, quando na verdade não o é.
O único referencial que o ser necessita é si mesmo: se tornar melhor, evoluir.
Humanos: parem de medir as dificuldades desse modo tão errado, colocando montanhas onde há planície. Tenha ímpeto, tome uma decisão de uma vez, e saiba que é o responsável pelas conseqüências dela.
Um Ser-Em-Si é qualquer coisa no mundo que já possui uma essência definida; não possui um para dentro que se oponha ao para fora; não avança, não recua, não transcende. Mas nós, seres pensantes, não somos Ser-Em-Si. Somos um Ser-Para-Si: possuímos um enorme vazio dentro de nós, e temos (ou melhor, criamos) como objetivo preencher esse vazio de alguma forma.
Porém, humanos acham que já estão completos, e ficam se definindo. Criam características para eles mesmos e as repetem, como se fossem verdade. Isso já foi dito.
O humano se conclui, se resolve, pára por ali. Ou ao menos finge isso. Duvido que uma dessas criaturas realmente pense no que é (ou mais: que haja segundo o que diz ser). Fica ali: limita, especula acerca da própria existência, a analisando como se estivessem olhando uma pedra - ou melhor, uma flor: sempre só falam das partes boas.
Humano, você não é: você foi, e você será. A cada segundo, você pode se fazer como deseja, mas a cada segundo pode também se desfazer.
Os humanos se contentam com pouca coisa, com qualquer resposta! Isso é primitivo e infantil.
Nos sonhos nós somos assim: a primeira resposta convence. Qualquer coisa que nos acontece em sonhos é perfeitamente explicada de qualquer modo. E por isso os sonhos são tão ilógicos, irracionais. Porém, entre os humanos, isso chega a acontecer fora dos sonhos: qualquer resposta é aceita!
Deveriam ser animais racionais, não? Para quê olhar para as sombras nas paredes e fantasiar sobre elas? Humanos têm medo do ceticismo (ou não são capazes de possuí-lo). Humanos têm medo de mudar suas crenças. Humanos têm medo de perderem o livre-arbítrio, dês serem apenas matéria. Eles querem alma, querem ser especiais.
Só os humanos têm a incrível capacidade de se comunicar, de gerar uma cultura. E o que fazem? A distorcem. Humanos distorcem a cultura, as idéias adquiridas através dos séculos, e as usam em favor próprio. Aconteceu com Platão e Aristóteles, com Nietzsche até. A cultura, a forma como ela é apresentada: tudo isso deve ser contestado, como qualquer afirmação sem fundações que te derem.
Manipuladores, propositalmente ou não, "ensinam" seus descendentes (futuros humanos, coitados) antes mesmo de eles serem capazes de questionar. E pronto: gerou-se uma "verdade universal", e chega a ser considerado absurdo não acreditar nela. Essas idéias, infelizmente, se tornam quase congênitas.
Humanos enganam a si próprios, mesmo sabendo que estão errados, que não precisam aceitar aquilo para sempre. Humanos fecham os olhos e ouvidos para as coisas novas. Os humanos sempre acabam repetindo os mesmos erros, e voltam a fazer o que eu já disse: derrubam as idéias dos outros, ao invés de erguer as próprias, quando deveriam fazer o contrário: erguer as próprias idéias, esperando que elas sejam derrubadas – é da natureza científica, é de sua essência.
Não precisamos ter uma resposta. Não precisamos ter uma solução. Mas queremos, sempre queremos. E podemos inventar uma resposta qualquer, uma solução qualquer. Mas pense: qual o gosto de inventar algo, se você já sabe que está errado? E se não sabia, por que fechar os olhos, se encolher, tapar os ouvidos, se enclausurar, apenas para não ouvir outras respostas? Isso é puramente a aplicação do método da tenacidade. Isso cria crenças, e crenças não são obrigatoriamente verdades.
Já foi dito por outros, e repito "os humanos não precisam da verdade, precisam acreditar em algo como sendo verdadeiro". Então, se isso é da natureza humana, deixe de ser humano: evolua! Procure sempre a verdade e, se não encontrar, continue procurando; se desistir de procurar, não invente algo e finja que é a resposta - mantenha-se sem uma.
Não faça apenas o mínimo que você pode fazer. E nem considere o que você já faz como o melhor que pode ser feito. Você sempre pode fazer algo mais.
Outros nos dizem que o importante é tentar. Tentar é importante, sim: só se alcança os objetivos tentando alcança-los. Porém, é um conformismo estúpido afirmar que tentar é o suficiente.
Onde está definido o ‘suficiente’? NUNCA é suficiente. O ser humano é ambicioso – e essa é uma de suas poucas características positivas! Só quem pode te dizer “bom trabalho” são os outros, nunca você mesmo. Só quem pode te dizer “você já fez o bastante, parabéns” são os outros. É estupidez dizer que a opinião alheia não importa. Todos vivem em função dos outros, nenhum homem é uma ilha.
O mundo está uma porcaria, certo? E sabe o motivo disto? Os humanos. Vamos, demos um passo à frente, tentemos mudar um pouco esse universo que nos cerca. Parar de perder tempo com coisas que não trazem felicidade (efêmera ou não).
O objetivo do ser, por mais egoísta que seja, é a felicidade. Para alguns, a felicidade está no altruísmo. Perfeito: nada melhor para a humanidade. Para outros, está em construir, em ser referencial. Perfeito: seja um referencial para os futuros humanos, e talvez eles deixem de sê-lo.
Se divirta, a vida é curta e isso é bom. Tenha responsabilidade, pois tudo o que você faz é de culpa sua e somente sua.
Pare de cometer os mesmos erros de sempre, que todos os humanos cometem. A humanidade está ficando presa nas grades que ela mesma construiu. Os humanos fingem conseguir sair dela, mas apenas enganam os outros, e a si próprios. E pior: dentro das próprias grades, constroem outras grades, e labirintos, para os semelhantes não conseguirem ir "tão longe".