New Literature - Leandro Viana Braga

Sexta-feira, Maio 02, 2008

Com o objetivo de centralizar as atenções nos textos longos e chatos no fim do post, vou preencher a parte de cima do post apenas com piadas de mau gosto, mas que adoro.


-Mãe, não quero mais conhecer o vovô.
-Cala a boca, filho, e continua cavando.

O que é o que é? O que é que cai em pé e corre deitado?
Um tetraplégico.

Por que a menina caiu do balaço?
Porque ela não tinha braços.

O filho chega para a mãe:
-Mãe, o que vou ser quando crescer?
-Nada, filho, você tem câncer.

A menina chega com o dedo sangrando e sua mãe pergunta:
-Você cortou o dedo filha?
-Não, é que a moleira do bebê é muito mole.

O que o café disse para o picolé?
Sou preto, mas pelo menos não tenho um pau no cu.

O que o picolé disse para o café?
Tenho um pau no cu, mas ao menos não sou preto.

Como o leproso faz carne moída?
Esfregando as mãos.

Goblin Fanfarrão

Indivíduos 2.1

Para ela, o dia estava comum. Para ela.

Estava ali, no mesmo lugar em que se encontrava toda manhã, de segunda a sexta.

Estava com duas amigas. Ou, ao menos, tentava considerá-las amigas. Esta individua sobre o qual falo não é muito boa com mudanças. E, quando as mudanças trazem pessoas novas para a vida dela, é difícil ela transformar “pessoas novas” em “amigos”.

Parecia estar feliz ali, embora não estivesse realmente ali. Mas estava feliz. Tão feliz quanto um quadrúpede médio bebendo água na beira de um lago na savana. Este sobre quem vos falo estava apenas vivo, existindo, coexistindo, permanecendo sem expectativas, sem se importar se seria atacado – ou não – por um carnívoro de maior porte.

Às vezes, e apenas às vezes, parava para pensar sobre alguma coisa. E quase sempre que isso acontecia, ele sentia algo pesar na barriga. Não havia feito nada de grave, mas sempre achava que estava muitíssimo errado. E ela não gostava de estar errada.

Parece com você?

Leandro Viana Braga
Sexta-feira, Maio 02, 2008 - 7:50 PM

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Quarta-feira, Abril 23, 2008

Tudo isso vem de muito Raul Seixas e de busca por realização pessoal. É a velha pergunta: o que você quer ser quando crescer?

Afinal, estamos certos em gastar nossa vida querendo uma profissão, um objetivo tão mundano e igual ao de todos os outros?

A gente fica aqui, parado, vivendo. E acaba morrendo sem se deixar eterno. Todo humano quer a eternidade - a maioria, com imensa má-fé, fingem que ela existe. Todo humano deseja que, mesmo morto, seja lembrado como se estivesse vivo.

É tanta coisa para falar que me perco no meio dos tópicos que posso criar...

Ironicamente, Raul Seixas tem sido a música de fundo enquanto faço meus trabalhos para uma faculdade que não gosto tanto...

raulzito

Indivíduos 1.2

Um início de dia cansativo para Joe. Joe, dezenove anos, um metro e setenta, sessenta quilos, cabelos e olhos castanhos claros, pele branca, sempre sujo. Ouve música alta – no computador, no ipod, no carro. Joe chama-se Jean, mas possui esse apelido devido à música Hey Joe.

No seu quarto encontramos um computador, uma cama e um violão. E Joe.

Joe acorda. Joe se levanta. E faz tudo o que eu já havia dito. Com exceção do banho, tudo estava mal.

Tudo culpa do que lhe acontecera ontem. Recebera uma mensagem negativa. Joe fora traído, apunhalado. Usando “apunhalado”, podemos sentir que não foi uma traição amorosa. Joe foi traído por quem confiava.

Um baque. Uma pancada. Já esperava?

Não, não esperava.

O que era antes o parapeito agora se transformou na queda da varanda. Precisava agora ficar um passo atrás de onde sempre ficou, ou cairia.

Joe estava andando pelas ruas da cidade em direção ao seu destino. Uma cidade ruim, eu te digo. Muitos prédios, pouca infra-estrutura. Muitas pessoas, pouco dinheiro. Mas ainda algumas árvores, que lhe dava momentos de sombra e sol alternados.

Joe não pensava em muita coisa naquele momento. Apenas desejava continuar no banho. Ou melhor: desejava enfiar a cabeça num balde com água.

E, se podíamos encontrar tantos baldes em sua casa, por que Joe não cumpria seus desejos?

E aí? Quer um indivíduo novo? Ou quer saber quem causou isto? Ou simpatizou com Joe?

Leandro Viana Braga
Quarta-feira, Abril 23, 2008 - 11:53 PM

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Terça-feira, Abril 15, 2008

Terminei uma poesia! Arrá! Adoro essa sensação...

Essa poesia, para quem não sabe, foi selecionada para o livro do Prêmio Ideal de Literatura que ocorre todo ano. Ver post de Sexta-feira, Outubro 26, 2007

Sempre a achei incompleta e, hoje, num lampejo, a completei. Está escrita originalmente no meu caderno da faculdade, de forma que a li, e as idéias vieram.

Sobre o texto do final do post... vocês preferem conhecer esse indivíduo mais profundamente ou partir para outro?

Corpos e Anticorpos

Algo natural e iminente
Os corpos que encantam as eras
Circundam-se e liberam as feras
Numa antipatologia doente

Cura escaldante que, de repente,
Na composição dos corpos, se intera
Sendo apenas tudo aquilo que se espera
Da luta da aranha com a serpente

Vendo isto, está estão provado
Que o homem, com a mulher ao lado
É uma besta-fera da libido

E, com todo esse desejo, proibido
O ser-doença sente-se impelido
A amar e ser amado

Dança Macabra

Indivíduos - Parte 1.1

Um início de dia cansativo para ele. Um nome? Por enquanto, não é preciso dizer. Nomeá-lo antes de conhecê-lo é, no mínimo, um grande erro.

Acordou mal, levantou-se mal, caminhou mal até o banheiro. Tomou um ótimo banho – para alguém que tentava se matar –, vestiu-se mal e dirigiu-se à cozinha. Comeu mal, escovou os dentes mal e foi, de modo desagradável, para as ruas, para o seu destino.

Não poderíamos esperar alguém em piores condições que ele. “O que o deixou assim?”, você me pergunta.

Bom, deve estar sendo uma leitura cansativa. Não temos nomes, não temos antes, não temos depois. Não temos causa e conseqüência, que é o básico para uma construção lógica. E o pior: não temos descrições.

Você, leitor, deve ter imaginado você mesmo – ou alguém que você não gosta. Deve ter imaginado sua casa ou apartamento. Seu banheiro, sua comida matinal. Sua cidade, suas ruas, seu destino.

Deve ser ruim imaginar coisas tão ruins consigo mesmo...

Leandro Viana Braga
Terça-feira, Abril 15, 2008 - 10:34 PM

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